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Queda de energia, 40 dias de buscas e corpo em mata: veja linha do tempo do desaparecimento de corretora morta por síndico
29/01/2026
(Foto: Reprodução) Corpo da corretora Daiane Alves é trazido para Goiânia
A corretora de imóveis Daiane Alves Souza, de 43 anos, ficou desaparecida por 40 dias até ser encontrada morta em uma área de mata às margens da GO-213, que liga Caldas Novas a Ipameri e Pires do Rio, a cerca de 15 quilômetros de Caldas Novas. O síndico do prédio onde ela morava, Cleber Rosa de Oliveira, e o filho dele, Maicon Douglas Souza de Oliveira, foram presos suspeitos do homicídio.
Maicon é suspeito de tentar obstruir as investigações. Além deles, o porteiro do prédio foi conduzido à delegacia para prestar esclarecimentos. O nome dele não foi divulgado.
Cleber Rosa de Oliveira confessou o assassinato e disse à polícia que matou Daiane Alves de Souza após uma discussão acalorada na garagem do subsolo. O suspeito usou as escadas para não ser filmado, segundo a polícia.
Em nota, a defesa de Cleber e de Maicon Douglas afirmou que os fatos ocorridos em Caldas Novas ainda estão sendo apurados e que Cleber ainda não foi ouvido pelo delegado responsável. A defesa disse que aguarda a realização da audiência de custódia e reiterou que Maicon Douglas de Oliveira não teve qualquer envolvimento na morte de Daiane. Leia a nota na íntegra no final da matéria.
Cleber Oliveira está preso suspeito da morte da corretora de imóveis Daiane Alves
Arquivo Pessoal/ Fernanda Alves e Wildes Barbosa/O Popular
Desaparecimento
Daiane desapareceu na noite de 17 de dezembro, quando desceu até o subsolo do Edifício Ametista Tower, localizado dentro do Residencial Golden Thermas, em Caldas Novas, onde morava e administrava seis imóveis da família. A filha dela, uma adolescente de 17 anos, não estava no prédio no dia do desaparecimento.
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Antes de descer, Daiane gravou e enviou vídeos para uma amiga. As imagens mostram a corretora entrando no elevador e deixando a porta do apartamento aberta, o que, segundo a família, indica que ela pretendia voltar rapidamente.
Durante as primeiras semanas de investigação, o delegado André Luiz Barbosa afirmou em entrevista à TV Anhanguera que o caso não era tratado como crime naquele momento, que não havia suspeitos e que todos eram considerados apenas envolvidos.
Corpo de Daiane foi encontrado em mata a 15 km do apartamento em Caldas Novas
Reprodução/Fábio Lima Jornal O Popular
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Prisão
Cleber e Maicon foram presos na quarta-feira (28) pela Polícia Civil de Caldas Novas. O corpo da corretora foi localizado às margens da GO-213, a cerca de 15 quilômetros do prédio onde ela desapareceu.
Segundo a Polícia Civil, síndico foi preso suspeito de matar corretora e filho dele por obstruir as investigações, em Goiás
Diomício Gomes/O Popular
Investigações iniciais
Segundo a Polícia Civil, a família registrou o desaparecimento cerca de 24 horas após o último contato, no dia 18 de dezembro. A partir disso, as investigações começaram para apurar em quais circunstâncias Daiane havia sumido.
De acordo com o delegado André Luiz Barbosa, do Grupo de Investigação de Homicídios (GIH) de Caldas Novas que estava à frente da investigação, inicialmente não havia corpo nem indícios diretos de crime. Ele afirmou ainda que o síndico teria omitido informações ao não entregar todas as imagens do sistema de monitoramento.
“Não havia fluxo de imagens, nem registros de veículos saindo do prédio, tampouco imagens de Daiane deixando o local ou do suspeito realizando qualquer ação que o vinculasse diretamente ao crime”, disse o delegado em coletiva.
Criação da força-tarefa
No dia 15 de janeiro, quase um mês após o desaparecimento, a Polícia Civil criou uma força-tarefa para intensificar as investigações. Segundo o delegado, a partir daí foi feita uma reconstituição dos acontecimentos no prédio e 22 pessoas foram ouvidas, entre elas funcionários do condomínio.
A força-tarefa concluiu que, entre as pessoas do convívio de Daiane, apenas Cleber teria acesso e condições de cometer o crime sem ser visto.
“Somente o preso teria acesso e possibilidade de cometer esse crime sem ser visto, sem ser registrado pelas câmeras e com meios para ocultar os vestígios da materialidade criminosa”, afirmou.
Desespero da família
Durante o período de buscas, familiares concederam entrevistas afirmando que Daiane não teria saído do prédio por vontade própria. Eles destacaram os vídeos enviados à amiga, nos quais ela deixa a porta aberta ao entrar no elevador.
A mãe da corretora, Nilse Alves Pontes, contou que, ao chegar ao apartamento, encontrou a porta trancada. Ela também relatou que a polícia quebrou o sigilo bancário da filha e constatou que não houve movimentações após o desaparecimento.
Segundo a família, o carro de Daiane estava em uma oficina em Uberlândia (MG) e ela utilizava aplicativos de transporte para se locomover na cidade.
Daiane Alves Souza, de 43 anos, foi vista pela última vez dia 17 de dezembro
Arquivo pessoal/Nilse Alves Pontes
Doze processos
Daiane e o síndico tinham um histórico de brigas e denúncias que envolveram perseguição, interrupções de energia e agressão, de acordo com a PC.
Segundo os familiares, havia 12 processos envolvendo Cleber e Daiane nas áreas cível e criminal. Onze ainda tramitam na Justiça e um foi arquivado com decisão favorável à corretora.
O mais recente foi protocolado em 19 de janeiro, quando o Ministério Público de Goiás denunciou o síndico pelo crime de perseguição (stalking), com agravante de abuso de função.
Em outro processo considerado importante pela família, há uma ação penal por lesão corporal, de maio de 2025, na qual Cleber é acusado de ter dado uma cotovelada em Daiane quando ela o confrontava sobre um desligamento no fornecimento de energia.
Prisão
Cleber e o filho Maicon foram presos na quarta-feira (28). De acordo com o delegado André Luiz Barbosa, eles estavam no apartamento com malas prontas no momento da prisão.
“O investigado, a esposa e o filho estavam dormindo quando a equipe chegou para cumprir os mandados”, informou o delegado.
O síndico confessou o homicídio e levou a polícia ao local onde havia deixado o corpo de Daiane.
O que se sabe até agora?
Em entrevista coletiva, a polícia apontou que o crime foi cometido em um intervalo de oito minutos. Em depoimento, Cleber contou que saiu sozinho do condomínio, dirigindo a sua picape, após colocar o corpo de Daiane na carroceria. A polícia tem as imagens de câmeras de segurança que mostram ele saindo do prédio por volta das 20h do dia do desaparecimento.
Em coletiva de imprensa, o delegado do caso, André Luiz, informou que, para uma pessoa cometer o crime, ela precisaria de pleno acesso ao prédio.
Por quais crimes Cleber e o filho são investigados?
Segundo o delegado, o síndico foi preso por suspeita de homicídio, enquanto Maicon é suspeito de ter auxiliado o pai e obstruído a investigação. Segundo o delegado André Luiz, Maicon deu um celular novo ao pai, o que poderia ser uma forma de tentar ocultar provas em uma possível apreensão do aparelho.
Nota da defesa
O escritório Nestor Távora e Laudelina Inácio Advocacia Associada, representando os interesses do Sr. Cleber Rosa de Oliveira, vem informar que os fatos ocorridos em Caldas Novas/GO ainda estão sendo apurados, e o compromisso do Sr. Cléber em contribuir com as autoridades públicas.
Ressalte-se que o Sr. Cleber ainda não foi ouvido pelo delegado responsável e aguarda a realização da audiência de custódia. Além disso, a defesa salienta que não há qualquer envolvimento do filho Maicon Douglas de Oliveira na morte da Sra. Daiane Alves de Souza.
Corpo de corretora foi encontrado a cerca de 15 quilômetros de Caldas Novas, em Goiás
Arte/g1
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